domingo, 1 de maio de 2011

Mitos & Fatos


São poucos os fatos da vida envoltos em tanto mistério, medos e tabus quanto o parto. Talvez nem o sexo tenha sido tão mistificado, alguém aqui já ouviu falar de quem tenha medo de morrer de sexo? Ou de ter falta de líquido, cordão enrolado, bacia estreita para o sexo?
Quem já esteve grávida fartou-se de ouvir de amigos, parentes, conhecidos e até de desconhecidos sobre os grandes perigos do parto. Todo mundo tem uma história trágica a contar. São tantas histórias dramáticas que não consigo entender como é que as nossas cidades não estão povoadas de pessoas lesadas, paralisadas, ressecadas e enroladas em cordões assassinos! Sem contar nas mulheres alargadas e com incontinência urinária no último grau.
Qual é a grávida que não foi parada pela manicure, pela cobradora do ônibus, pela cunhada da prima da vizinha para ouvir uma história tenebrosa sobre o bebê que bebeu água do parto, que chorou na barriga, que fez cocô no líquido amniótico, que secou de tanto que passou da hora, que tinha 30 voltas de cordão no pescoço, que teve um parto seco, que teve um fórceps tão forte que lhe afundou o crânio de lado a lado?
Se você está grávida e se a sua barriga já aparece, certamente você já ouviu uma história dessas e não gostou nada dos pulos que seu coração deu. Pensando em ajudar as mulheres que se encontram nessa situação, aqui vão algumas dicas para ajudar a desmistificar os "grandes perigos" que as cercam quanto mais o parto se aproxima. 

MITOEXPLICAÇÃOFATOS
Falta de Dilatação Muitas mulheres hoje em dia dizem que não conseguiram ter um parto porque tiveram falta de dilatação. Tecnicamente não existe falta de dilatação em mulheres normais. Ela só não acontece quando o médico não espera o tempo suficiente. A dilatação do colo do útero é um processo passivo que só acontece com as contrações uterinas.
Bacia Estreita Uma mulher com bacia estreita não teria espaço para a passagem do bebê Existem situações não muito comuns em que um bebê é grande demais para a bacia da mulher, ou então está numa posição que não permite seu encaixe. Não mais que 5% dos partos estariam sujeitos a essa condição. Além disso, tecnicamente é impossível saber se o bebê não vai passar enquanto o trabalho de parto não acontecer, a dilatação chegar ao máximo e o bebê não se encaixar.
Parto Seco Um parto depois que a bolsa rompeu seria uma tortura de tão doloroso. A verdade é que depois que a bolsa rompe o líquido amniótico continua a ser produzido, e a cabeça do bebê faz um efeito de "fechar" a saída, de modo que o líquido continua se acumulando no útero. Além disso o colo do útero produz muco continuamente que serve como um lubrificante natural para o parto.
Parto Demorado Um bebê estaria correndo riscos porque o parto foi/está sendo demorado. Na verdade o parto nunca é rápido demais ou demorado demais enquanto mãe e bebê estiverem bem, com boas condições vitais, o que é verificado durante o trabalho de parto. Um parto pode demorar 1 hora como pode demorar 3 dias, o mais importante é um bom atendimento por parte da equipe de saúde. O que dá à equipe as pistas sobre o bebê são os batimentos cardíacos. Enquanto eles estiverem num padrão tranquilizador, então o parto está no tempo certo para aquela mulher.
Bebê passou da hora O bebê teria como uma "data de validade" após a qual ele ficaria doente Os bebês costumam nascer com idades gestacionais entre 37 e 42 semanas. Mesmo depois das 42 semanas, se forem feitos todos os exames que comprovem o bem estar fetal, não há motivos para preocupação. O importante é o bom pré-natal. Caso os exames apontem para uma diminuição da vitalidade, a indução do parto pode ser uma ótima alternativa.
Cordão Enrolado A explicação é de que o bebê iria se enforcar no cordão umbilical O cordão umbilical é preenchido por uma gelatina elástica, que dá a ele a capacidade de se adaptar a diferentes formas. O oxigênio vem para o bebê através do cordão direto para a corrente sanguínea. Assim, o bebê não pode sufocar.
Não entrou/não teve  trabalho de parto A idéia aqui é de que a mulher em questão tem uma falha que a impede de entrar em trabalho de parto A verdade é que toda mulher entra em trabalho de parto, mais cedo ou mais tarde. Ela só não vai entrar em trabalho de parto se a operarem antes disso.
Não tem dilatação no final da gravidez A explicação é que o médico fez exame de toque com 38/39 semanas e diz que a mulher não vai ter parto porque não tem dilatação nenhuma no final da gravidez. Tecnicamente uma mulher pode chegar a 42 semanas sem qualquer sinal, sem dilatação, sem contrações fortes, sem perder o tampão e de uma hora para outra entrar em trabalho de parto e dilatar tudo o que é necessário. É impossível predizer como vai ser o parto por exames de toque durante a gravidez.
Placenta envelhecidaA placenta ficaria tão envelhecida que não funcionaria mais e colocaria em risco a vida do bebêO exame de ultra-som não consegue avaliar exatamente a qualidade da placenta. A qualidade da placenta isoladamente não tem qualquer significado. Ela só tem significado em conjunto com outros diagnósticos, como a ausência de crescimento do bebê, por exemplo. A maioria das mulheres têm um "envelhecimento" normal e saudável de sua placenta no final da gravidez. Só será considerado anormal uma placenta com envelhecimento precoce, por exemplo, com 30 semanas de gravidez.
Curiosamente, a amamentação também tem uma maravilhosa lista de mitos e lendas, sempre no sentido de diminuir a confiança da mãe em sua capacidade. Se você conhece algum mito interessante do parto ou da amamentação que queira nos contar, nós poderemos incluir neste quadro! Aproveite agora para cuidar de você e do seu bebê. Não deixe que os pessimistas de plantão estraguem esse maravilhoso momento da vida de vocês.

Ana Cristina Duarte
Doula, Educadora Perinatal, Graduanda em Obstetrícia pela USP Leste
Mãe de Júlia (Cesárea Desnecessária) e Henrique (Parto Normal Hospitalar)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mães e Filhas...Filhas e Mães - NSC dia 04/05 - Homenagem a nossas mães!



Dia desses você esteve num umbral...deixando de ser filha, para se tornar mãe! colocando na mala dessa viagem: responsabilidades, amadurecimento, transformação...e tirando dessa bagagem que te trouxe até aqui: o ponto final da sua existência, a lua crescente para cheia (que consequentemente também transformou sua mãe de cheia a minguante)...o barco desancorando novamente para buscar novos horizontes.E assim damos sequencia a vida.Somos mães, e filhas.E queremos comemorar isso!
Dia 08/05 é dia das mães e queremos convidá-las a participar do Nascer Sorrindo dia 04/05, partilhando seus momentos de mãe, seus partos com nosso grupo.

Mamães, queremos ser filhas esse dia ( com direito a um colinho!!).Venham com a gente! AHá!

Hoje nasceu a Isadora!



Hoje a Isa veio ao mundo.Tão esperada e tão abençoada.Chiara se provou, tentou, relutou. Entrou em TP e teve certeza que sua filha estava pronta para vir ao mundo. Acontecimentos, então uma cesárea. Isa nasceu bem (dentro do possível), e saudável.
Abaixo uma carta que a Chiara nos enviou quarta feira dia 27/04. Linda, foi muito bom estar ao teu lado!
"Quero deixar aqui em algumas palavras o que estou realmente sentindo hoje, talvez entrando em trabalho de parto!!!
No grupo Nascer Sorrindo tive a oportunidade, durante meu processo gestacional, de resgatar o desejo de buscar informações sobre como minimizar o trauma do nascimento para minha filha e como sentir-me fortalecida e empoderada para dar conta do momento do parto normal. Este resgate e novos aprendizados se deram por trocas de experiência, por escutar pessoas que já passaram por esse processo e se dispuseram a partilhar. Ao mesmo tempo que foi delicioso poder integrar esse grupo, foi também dolorido. Porque? Quando nos informamos e nos damos conta de como pode ser um parto mais humanizado, feito com mais calma e delicadeza por parte dos envolvidos e nos deparamos com a realidade de  Caxias do Sul, isso gera uma angústia tremenda. Não existe ainda uma estrutura hospitalar ou de casas de parto que seja segura para se ganhar um bebê nestas condições.  Aqui em nossa cidade, a maioria dos partos são cirúrgicos e muitos profissionais da saúde ainda tem pouca escuta para mulheres que queiram estar mais ativas e participantes tanto na preparação para seu parto,  quanto no que diz respeito a clareza nas reais necessidades dos "procedimentos de rotina". A ciência deveria estar à serviço da saúde do bebê e da mulher e não do engessamento do processo de gestação e parto. Mas existem profissionais que estão disponíveis para repensar e oferecer uma escuta de qualidade às gestantes e seus desejos, e dentro do que é possível acolher esses desejos, de mães que querem apenas um nascimento mais suave e tranquilo para poder receber seus bebês com todo o amor."

Chiara Lorenzzetti Herrera



O Benjamin nasceu...Pascoalino!


Dia 24 de abril, domingo de Páscoa as 03:28 da manhã nasceu o Benjamin...em casa, na banheira trazendo junto de si, uma certeza...a beleza das coisas que acontecem com o amor e a paciencia. Silvana, rasgando seus medos, trazendo a tona seus conflitos internos, que se se transformaram em força e determinação. Suave e forte.Esse momento em que conhecemos esse estranho que nos habita é tão forte e tão ambíguo...uma única certeza...um vazio na barriga, e o poder tomando lugar dentro da gente....Salve lindo Benjamin, taurino puro, filho da felicidade (esse é o significado de seu nome!)...Bem vindo a Terra!

sábado, 9 de abril de 2011

Era uma vez : Fraldas...Penicos

Detalhes sobre o parto de Mariana, filha de Ana Maria Braga, que deu a luz a Joana dia 03/02/2011, em sua casa, juntamente com as fotos já pipocam por ai.Adorei a maneira como ela colocou que a mulher tem que estar preparada e focada nesse tipo de parto. Mas confesso que o que mais me chamou a atenção foi o assunto fraldas. As mamas do nosso grupo estão optando direto pelo uso das fraldas de pano. Trabalhoso sim, mas muito mais responsáveis. Porém ao detectar assaduras, Mariana adotou uma sistema, que nunca tinha ouvida falar: "elimination communication" ou "evacuation communication". Interessante! Isso nos mostra claramente quão inteligentes nascemos e como os bebês são subestimados. Ressaltando também a comunicação entre a mãe e o bebê que já acontece antes do nascimento.

Técnica ensina bebês de colo a "irem ao banheiro"
 

MARY PERSIA
Editora de Equilíbrio da Folha Online

Com seis semanas, Flora já começava a fazer o que algumas crianças perto do segundo ano de vida não conseguem. Sentada no troninho, fazia o "número dois" sob o olhar atento da mãe e dos irmãos. Hoje, aos seis meses, fraldas são coisa de seu breve passado.
A menina, que mora em Shoreline, Washington (EUA), foi treinada pela mãe, Nadine Martinez, 27, para a EC (sigla de "elimination communication", ou comunicação para evacuar). A técnica ensina crianças que sequer balbuciam suas primeiras sílabas a dar dicas de quando querem fazer cocô e xixi.
A EC é baseada na habilidade natural da criança de "avisar" quando precisa fazer suas necessidades. A técnica consiste em prestar atenção aos sinais e estabelecer um marcador (um chiado, por exemplo) que o bebê relacione ao ato de evacuar. A partir daí, segundo especialistas, a criança passa a entender que o marcador é um sinal verde para usar o banheiro.

Joseph, 3, Flora, então com 2 meses, e Madison, 7, filhos de Nadine; foto marca 1ª vez em que irmã pôs bebê no penico com sucesso
Joseph, 3, Flora, então com 2 meses, e Madison, 7, filhos de Nadine; foto marca 1ª vez em que irmã pôs bebê no penico com sucesso.Arquivo pessoal

Quando Flora nasceu, Nadine decidiu usar fraldas de pano --que voltaram a ganhar espaço nos Estados Unidos e Europa recentemente. Mas, cansada do trabalho de lavá-las, procurou uma alternativa e passou a treiná-la para a EC, sob orientação da Diaper Free Baby, entidade com base em Massachusetts (EUA).
"Já tinha ouvido falar disso, mas a idéia parecia ridícula. Só depois de ir a um encontro da ONG é que entendi o conceito", diz a mãe.
Com seis semanas, Flora já usava o penico, mas incidentes ocorriam com freqüência. Um mês depois, as fezes já não "escapavam" e quase todas as urinações estavam sob controle.
"No começo, tirei as fraldas e mantive uma manta sob o bumbum. Eu ficava alerta para os sinais de que ela queria evacuar, e percebi que ela fazia um ruído e se contorcia, além de empurrar as pernas para cima", relata. "Passei então a erguê-la sobre um penico e fazer um barulho, um 'psss'."
Segundo a mãe, Flora pareceu entender o que deveria fazer quando ouvia o chiado --mesmo quando era alarme falso. "Se eu me enganasse e a colocasse no penico sem necessidade, ela fazia sons e tentava evacuar. Ficava maravilhada quando via aquilo."
Segundo os defensores da idéia, não é necessário dedicar-se à EC em tempo integral. Mesmo treinamentos ocasionais podem ser eficazes. "Tenho três filhos, e tanto eu quanto meu marido trabalhamos fora", ressalta Nadine.
Técnica ancestral
Ingrid Bauer, autora do livro "Diaper Free - The Gentle Wisdom of Natural Infant Hygiene" ("Sem Fraldas - A Sabedoria da Higiene Infantil Natural"), afirma que, quando o treinamento começa antes dos seis meses de vida, os resultados aparecem mais facilmente. Segundo ela, a técnica é ancestral e bastante usada na Ásia, África e em algumas regiões da América do Sul.
Linda Sonna, outra especialista em IPT ("infant potty training", treino para usar o penico, conceito vinculado à EC), afirma que o uso massivo e contínuo de fraldas não passa de um mau hábito estabelecido pela indústria de produtos infantis. "Adiar [o uso do penico] tem sido muito bom para as empresas. A verdade sobre essa habilidade dos bebês deve ser um dos segredos mais bem-guardados dos Estados Unidos", defende a psicóloga.
Assim como a amamentação --no passado considerada algo natural, décadas atrás preterida e atualmente de volta às rodas de discussões maternas--, a técnica representa uma volta ao passado. Laurie Boucke, que já lançou livros e DVDs sobre o assunto, afirma que, antigamente, os bebês eram enfaixados com tecidos que também tinham a função de conter suas fezes. No século 19, "quando higiene se tornou uma virtude", as crianças passaram a ser erguidas sobre o penico até aprenderem a utilizá-lo.
Mas há controvérsias quanto à eficácia e aos benefícios dessa prática. Segundo a Academia Americana de Pediatria, crianças com menos de um ano não têm controle dos músculos da bexiga e dos intestinos. Psicólogos contrários à idéia também afirmam que se trata de mais uma tentativa de "adultizar" os bebês. Ainda não foi relatado, porém, nenhum caso de dano físico ou emocional relacionado à prática da EC.
"Não podemos imaginar nossa vida sem isso", diz Nadine. "No futuro, começaremos a praticar a partir do nascimento."

terça-feira, 29 de março de 2011

Parir é uma obra de arte



Quando vi essas pinturas me apaixonei de cara!
São da pintora canadense Amanda Greavette, em seu "The Birth Project".
A tradução da dor, da exaustão, da introspecção, são perfeitas.
E há poesias em todas elas...Favos de mel..."tree litlle birds"...dar a luz em um campo aberto, o aconchego das cobertas como filhote. A arte que em algum lugar foi esquecida: Parir com LIBERDADE.
Inspirem-se!

















Nascer Sorrindo IV 2011


Dia 04/04 - Segunda feira - 19h. Espaço da Ivete mapa abaixo


Se tiver duvida, precisar de carona, ligue que podemos combinar!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Luna, a capricorniana


Dia  13/01/2011, a Luna quis respirar por conta própria...sentir o cheiro da mamãe e do papai, saber como era o rosto daquelas pessoas que tanto falavam com ela lá dentro do ninho.Sentir o gosto do leite, e abrir os olhos para o mundo. Com a mãozinha no rosto (sim, nasceu assim mesmo) chegou aqui impressionada! Impressionada por tanto amor e calor humano. Paulinha, mãe leoa! Vivenciou o parto com toda intesidade que uma mulher deve ter.Se libertou, conquistou o direito de ser mãe ao seu modo...LIVRE!Papai Gil, lambendo a cria desde o primeiro minuto. E a lua, crescente no céu. O amor sempre vence...e eu cada vez mais feliz por participar disso...SEJA BEM VINDA ABENÇOADA LUNA!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Nascer Sorrindo Caxias I - 2011

Ufaaa...estou atrasadissíma!!Vou postar duas coisas pra compesar...hehehe!

Foi dia 04/01/2011 no Espaço da Ivete, que demos mais um passo nessa estrada que ainda está sendo construída.Natália e o pequeno Athos, Bruna e seu pequeno Mig, Ivete, Giovana e seu Luca, Chiara barriguda e Jesus, Paula e Narada, Paula barriguda e Gil , eu e minha Marina. Em um círculo de dúvidas, de dádivas, de busca, de conhecimento. Abordamos assuntos variados, traçamos alguns caminhos para os próximos encontros, assistimos a delícia de vídeo do nascimento do Miguel. É bom demais poder ajudar, encontrar auxílio e superar nossas dificuldades. Fizemos a barriga de gesso da Paulinha! Que bagunça boa...as crianças ajudaram,claro!! Vamos fazer isso com todas nossas gravidinhas!
Nosso próximo encontro já ficou marcado para dia 02/02 - 19h  no mesmo local.






Dia 02/02 - Espero vocês lá!!!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

MAP - Musculatura do Assoalho Pélvico & Massagem Perineal


- Oi Doutora!Quero ter um parto normal !!
- Como assim? Você está preparada? Se preparou?
- Me preparei?Acho que sim...afinal estou grávida!
- Você acha que é simples assim?Não, não ... no seu caso, acho melhor uma cesárea!

O desencorajamento age por muitas frentes.Se não é por um motivo, passa a ser por outro.
Então preste atenção as suas capacidades.Nunca é tarde para transformar, reverter e até mesmo se "preparar". O parto não deve ser pensado somente uma semana antes antes da data prevista.Acredito até que a maioria das mulheres que descobrem que estão grávidas, logo pensam no momento da saída do bebê.
A mulher moderna acabou se tornando sedentária. Mas não como uma opção.Sentadas na frente da TV, do computador, para o banco do carro...Deixamos de usar nossa musculatura das pernas, de nos agacharmos, de caminhar em nome do tempo e da praticidade.Se preparar para o parto? Sim, isso é necessário! Mas a preparação começa antes de tudo na sua cabeça, na sua vontade.Depois a parte física.Yoga, Hidro, Caminhadas, Exercícios específicos, que até ja mencionei aqui e também a Massagem Perineal, a qual o companheiro pode auxiliar. Tudo é válido para preparar o Assoalho Pélvico.O que é isso? É justamente o chão, a sustentação muscular de alguns orgãos da cavidade abdominal, que são de extrema importância tanto na gravidez como no parto.

Onde fica a Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP)? O que ela faz?

A área destacada na figura a esquerda mostra a vista externa da região do períneo, que vai da sínfise púbica (osso palpado um pouco acima do clitóris) até o cóccix (final da coluna vertebral, logo acima do ânus).
À direita, o esqueleto da mesma região, fechado pela musculatura do assoalho pélvico (MAP). Esta abertura é o canal de parto.
A MAP está disposta como uma cama elástica sobre a qual repousam os órgãos pélvicos (útero, bexiga, ovários, etc). É perfurada por três canais (uretra, vagina e reto), que são amassados quando essa musculatura é contraída.
Ela circunda, como um grande anel, a porção mais externa do canal vaginal (a cerca de 3 cm para dentro, logo após a entrada). Esta altura, onde a MAP atravessa a vagina, é conhecida como linha da MAP (veja na figura abaixo).
É a MAP a responsável pela sensação de pressão sentida no ato sexual e na penetração, tanto pela mulher quanto pelo parceiro justamente naquela altura da vagina. É também o único local da vagina onde pode ser sentida alguma contração muscular voluntária (por vontade própria).

Como a MAP controla a pressão vaginal, o fluxo de urina, gases, fezes e ainda as posições dos órgãos pélvicos?

Ao ser contraída, a MAP suspende os órgãos pélvicos, mantendo-os em suas posições normais e evitando que os ligamentos (que amarram esses órgãos aos ossos, como cordas) sejam sobrecarregados e lesionados.
Por estar situada no final (saída) da uretra, da vagina e do reto, esta contração também faz uma constrição (aperto circular, como num nó) ao redor destes canais, auxiliando nas funções de cada um deles:
1. constrição da uretra - ajuda no controle do fluxo urinário ao manter a uretra bem apoiada e fechada;
2. constrição do reto - ajudam no controle do fluxo de gases e fezes, valvulando o reto em ação conjunta ao esfíncter anal;
3. constrição da vagina - mantém o "tônus" vaginal (vagina "apertada"), ao pressioná-la contra a sínfise púbica.
Todos os músculos que compõem o assoalho pélvico são ativados por um único nervo (chamado pudendo). Na prática isto significa que não é possível contrair um deles isoladamente sem contrair todo o resto ao mesmo tempo, e ao redor dos três canais simultaneamente. É impossível contrair, por exemplo, apenas ao redor da vagina enquanto se relaxa a porção ao redor do ânus.




O que é massagem perineal?

É um tipo específico e delicado de massagem realizada na região genital feminina ou, mais especificamente, na região do períneo. No geral a manobra trabalha toda a pele e adjacências da entrada do canal vaginal mas tem enfoque na porção muscular (MAP), localizada há cerca de 2 centímetros para dentro da vagina e envolvendo o canal quase como um nó.

Qual a função deste tipo de massagem?

A função principal da massagem perineal é permitir um relaxamento progressivo da MAP, especificamente na entrada do canal vaginal, além dos tecidos locais adjacentes (pele, camada subcutânea, pequenos músculos circunvaginais superficiais, etc).
É importante na preparação para o parto, quando o aumento na elasticidade da abertura vaginal é importante para a minimização de lesões que por ventura possam ocorrer. Por promover este alongamento da entrada do canal vaginal, a realização de massagem perineal no pré-natal (desde que realizada de maneira correta e na frequência necessária) tende a reduzir a necessidade de episiotomia.

Como ela funciona?

A partir de lentos e delicados movimentos circulares, num primeiro momento ao redor da entrada do canal vaginal, a massagem tenta relaxar e alongar progressivamente os tecidos cutâneos e subcutâneos (pele, gordura, anexos e pequenos músculos superficiais).
Posteriormente os movimentos são concentrados na entrada da vagina há cerca de 1 centímetro para dentro, antes da linha da MAP (região muscular há cerca de 2 centímetros para dentro da vagina). O objetivo ainda é de alongar e relaxar o local.
Num terceiro momento o foco é a MAP, localizada há cerca de 2 a 3 centímetros para dentro do canal vaginal. Por se tratar de uma região de musculatura mais forte normalmente é necessário um pouco mais de pressão, respeitando-se a delicadeza da região. Aqui o objetivo principal é a mobilização e o alongamento da MAP.
Nesta altura a massagem perineal contribui de maneira decisiva para a conscientização e auto-percepção da mulher para com esta musculatura, fundamentais para o relaxamento consciente do local, necessários para a passagem do bebê.

Como é realizada?

A melhor posição para a realização da massagem perineal é a chamada posição ginecológica (a mesma do consultório do ginecologista: deitada da maneira mais confortável possível, pernas afastadas e pés apoiados). Outras posições alternativas são a sentada ou, em último caso, em pé com as pernas afastadas, como na auto-massagem realizada pela própria mulher, por exemplo, durante o banho.
Após a verificação do médico de que não existem problemas ginecológicos como infecções e tomados os cuidados de proteção individual (luvas, etc), os dedos do terapeuta (ou da própria mulher) devem se lubrificados com gel específico para este fim. Movimentos circulares delicados com dois dedos devem ser iniciados ao redor da entrada do canal vaginal, concentrados na porção posterior (parte de trás da entrada da vagina, perto do ânus).
Não massageie a região da uretra (pequeno orifício, um pouco difícil de observar, mas por onde sai a urina, logo abaixo do clitóris) para evitar irritação e infecções.
Após ter conseguido o relaxamento suficiente da região superficial os dedos (ou um dedo, dependendo do caso e dos objetivos do tratamento) devem ser lentamente introduzidos na entrada do canal vaginal. Os movimentos circulares devem ser substituídos por semi-círculos (deslizamentos em forma de "U"). Deve-se procurar a linha da MAP - local onde se encontra esta musculatura, há cerca de 2 centímetros para dentro da vagina: é um local mais "apertado", onde é sentida por exemplo a pressão durante o ato sexual.
Depois de encontrar a MAP a metade dos dedos, levemente curvados para dentro da vagina, deve ser posicionada na altura dela, puxando a musculatura para baixo (na direção do ânus). Deve-se observar uma sensação igual ao alongamento muscular (como por exemplo ao alongar outro músculo antes de uma atividade física).
Esta sensação do alongamento (semelhante a um leve desconforto, latejante, ou uma ardência mais profunda - que não na pele) deve ser sustentado até que diminua ou desapareça (o que leva cerca de 20 a 30 segundos, normalmente).
Caso sinta algum desconforto diferente, maior ou dor interrompa a massagem e contate seu fisioterapeuta especialista ou médico ginecologista.
Na sequência deve-se aliviar a pressão e retornar aos movimentos em "U", repetindo em seguida a pressão para cada um dos lados da vagina (na direção de cada uma das coxas) do mesmo modo que foi descrito acima.
Por fim podem ser realizados suaves "movimentos de serra" (deslizando os dedos em vai-e-vem, entrando e saindo da vagina, juntamente com o movimento de deslizar os dedos em forma de "U"). Se a massagem for realizada por outra pessoa que não a mulher, converse sempre durante o procedimento para que o grau de "força" dos movimentos sejam suficiente confortáveis. A massagem pode ser realizada até mesmo todos os dias, de acordo com o plano de tratamento e a necessidade de cada caso.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O primeiro encontro de muitos...



Não subestime a natureza...ela sempre encontra um meio para se manifestar...

Dia 14/12/2010, Giovana, Bruna, Natalia, Rachel e Paula. Na noite deste dia, iniciamos nossa jornada.  Jornada em busca de algo que já nos pertence...pertence a todas mulheres. Não é algo novo, é algo que sempre existiu, sempre existirá. O direito de ser mulher na essência...A busca insistente da humanidade por sua evolução nos levou a caminhos tão tortuosos e com tantos espinhos...tanta dor. A flecha já foi lançada, a semente já foi plantada...Nos resta começar, agora a colher os frutos. Obrigada Deus, por este passo, por essa união de mulheres abençoadas. Que o que se iniciou aqui, não pare mais. Que cada vez mais, e mais mulheres tomem conta de sua consciência e de seus corpos. Que possamos ser o alicerce, a bengala, o degrau, o primeiro passo...nessa imensa caminhada. Este é inicio aqui em Caxias, mas já é sabido que essa luta já dura há mais de tres décadas.
Humanização.Sensibilidade.Ternura.Segurança.Transformação. Acredito que essas palavras podem traduzir o que queremos.VIDA LONGA E PARTOS SADIOS!

ATENÇÃO:

NASCER SORRINDO CAXIAS I - 2011 - 04/01/2011
LOCAL A SER DEFINIDO
HORÁRIO: 19H

Nesse dia faremos a benção a Luna que vai chegar logo, logo. E também a confecção da Barriga de Gesso da Paulinha. + Vídeos e Roda de conversa.

Enviem e-mail confirmando presença.
Beijos e muito obrigada.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Os 5 "S" e o fim do choro



Hoje eu e Bruna estávamos na casa da Natália e conversando sobre como acalmar o bebê a Bruna veio com a Teoria dos "5S" e Extero Gestação ou Quarto Trimestre.Eu nunca tinha ouvido falar (a Bruna sempre trazendo novidades!!) sobre como acalmar o bebê num gesto tão simples e tão antigo, e tão elementar que as vezes naqueles momentos de choro em que algumas mamis podem entrar em desespero, acabam por fazê-lo instintivamente.Essa teoria na realidade é o Metodo do Dr. Harvey Karp, um pediatra norte americano que trabalha em grupos, repassando suas informações e técnicas.

Metodo do Dr Harvey Karp - 5 passos

1. “Swaddling” - Enrolar o bebê em uma manta ou cueiro bem apertadinho.
2. “Side position“ - Se apenas embrulhar não resolver, colocar o bebê de lado.
3. “Shushing” - Se continuar chorando, fazer um som semelhante aos sons que o bebê sentia dentro do útero materno.
4.“Swinging“ - Embalar o bebê.
5.“Sucking” -  Dar algo para sugar. 








No útero o bebê sentia-se contido, e embalado 24 horas por dia pelos movimentos da respiração e pelos movimentos do quadril da mãe, enquanto ela caminhava ou subia uma escada, por exemplo. Escutava também constantemente um universo de sons do corpo materno (respiração, fluxo dos fluidos sanguíneos, coração, etc).
Quando ele nasce, fica “solto” e se ele ficar solto, se assusta, chora e se debate tentando encontrar o conhecido e tranquilizador limite do útero materno.
Ao recuperar as sensações de sentir-se contido, aconchegado, apertadinho e quentinho, sentir os movimentos e ouvir os sons que escutava no útero, o bebê pode se acalmar e geralmente se acalma. Por isso mantê-lo embrulhadinho é umas das maneiras mais eficazes de acalmar o bebê. Não é à toa  que o “embrulinho” ou “charutinho” (enrolar o bebê em uma manta ou cueiro), é visto como uma forma bem eficiente de acalmá-los.

Então?...Já fez o seu embrulhinho hoje?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Um dos dias mais especiais da minha vida!

SEJA BEM VINDO ATHOS!

Eu segurando Athos, o papi Marcelo e a mami Nati, no espelho Bruna, a grande responsável por esse momento.

Mapa Astral do Athos


Hoje, meu presente foi doular pela primeira vez. Minha querida Natalia, deu a luz ao Athos, um menino lindo, rosinha, cabeludo. Pus em prática tudo (ou quase tudo) o que aprendi. Mas o mais importante...foi estar ali com a alma...me senti parindo junto com ela. É uma energia indescritível...uma explosão, uma bomba de amor. Ver uma família nascendo cercada de tanto carinho é muito emocionante. E o melhor, a Nati deu a luz em casa, com suas coisas, com seus cheiros, com seus recantos preferidos, com as músicas que ela queria ouvir, com a mão do seu amor amparando sua dor, com carinho de mãe, de sogra, da mão insistente da doula. Dentro de uma banheira no seu quarto, com um dia de sol lindo. Athos nasceu calminho, pelas mãos sábias da Zeza e sob olhar do Ricardo. Esse dia nunca vai sair do meus olhos, me encheu de esperança e me deixou com uma vibração que valem por uma semana de meditação. Também fez crescer em mim essa vontade de gritar para as mulheres: Tenham seus filhos por vocês mesmas!Façam valer SUA vontade!

"Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar..."

Florbela Espanca

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A tal Dor



Ao falar com uma gestante , o assunto "dor" ás vezes se torna um tabu. E não somente a dor dela própria, como a dor que o bebê vai sentir ao passar pelo canal de parto.Mas de que sofrimento estamos falando?Que dor é essa que nos persegue?No site da Parto do Principio encontrei um artigo que esclarece isso muitobem. Transformar dor em prazer é a chave.

O porquê da dor

A gente pode dissecar a questão da dor (do parto) de infinitos modos, pois não se trata de uma grandeza absoluta, não mede xis unidades de qualquer coisa. Ela é relativa, e a múltiplos fatores combinados entre si, físicos e psíquicos, conscientes e inconscientes, e a combinação de todos eles produz a percepção psico-física dentro de limiares individuais.
Na nossa cultura, o parto é na grande maior parte das vezes vivenciado e relatado como um evento em que está presente uma dor que beira o insuportável. Será necessário que seja assim? Vejamos...
Primeiramente há o aspecto evolutivo. O parto humano é o que apresenta a relação céfalo- pélvica mais estreita da natureza. Um dia resolvemos descer das árvores e caminhar sobre duas pernas. Outro dia resolvemos engrossar nossa camada de neo-córtex cerebral: resultamos bípedes e cabeçudos, porque somos metidos a não ser bestas. E na hora de parir nossos filhotes, os processos musculares de contração das paredes e dilatação do colo uterino, mais os movimentos do bebê empurrando-se para fora ocorrem sem folga de espaço, e as sensações fortes* que esses processos produzem podem ser interpretados como “dor”, e potencializados em sensações ainda mais dolorosas se houver medo, insegurança, ou ação de hormônios artificiais como se costuma aplicar através de soro às mulheres em trabalho de parto com o objetivo de acelerar o processo, atingindo níveis de fato insuportáveis. Em "Correntes da Vida", o psicoterapeuta inglês David Boadella** descreve o comportamento uterino em trabalho de parto quando a mãe sente qualquer tipo de medo – consciente ou inconsciente:
“(...) o útero tenta fazer duas coisas antagônicas ao mesmo tempo: tenta abrir-se, sob a influência do relógio biológico que atua através do hormônio que prepara o caminho para o bebê nascer; e, simultaneamente, tenta manter-se fechado, sob a influência dos nervos simpáticos, trazidos à ação pelo medo. É como se alguém quisesse dobrar e esticar o braço ao mesmo tempo; o braço teria um espasmo, que causaria dor. isso é exatamente o que acontece com o útero de uma mãe que é incapaz de relaxar e que está condicionada a sentir dor.”
Mas por que a mulher está condicionada a sentir dor? Um dos motivos é o arquétipo do parto doloroso em conseqüência do pecado original, como reza nossa cultura judaico-cristã. Ao expulsar Adão e Eva do Paraíso por terem provado do fruto do Conhecimento, o Criador lhes diz: “Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos” (Gênesis 3:16). Ora, como não sentir dor se o próprio Deus a determina? O arquétipo do parto como sofrimento foi literalmente in-corporado baixo a quase 6.000 anos de crença.
Outro aspecto importante, é o caráter fisiológico do parto. Esta noção não faz parte do senso comum: de que o ato de parir (assim como gestar e amamentar) é tão fisiológico e saudável quanto respirar, digerir, filtrar o sangue, pensar, absorver nutrientes, excretar, chorar, ouvir, enxergar, fazer sexo, fazer amor. Mas na nossa cultura, uma mulher grávida é vista como alguém sob risco potencial e iminente, o parto é visto como um evento necessariamente hospitalar e na maioria das vezes, cirúrgico. Ao transformar um evento potencialmente saudável em necessariamente patológico, a dor encontra campo fértil para ser identificada como tal. Está aí um dos fatores que levam tantas mulheres a sentir pavor pelo parto normal.
A dor tida por alucinante pode ser percebida como lidável quando a mulher, em primeiro lugar subtrai-lhe a parcela da dor propriamente dita, advinda do medo e da insegurança; o restante das sensações, ela pode converter em sensações lidáveis ao aceitar a natureza do seu corpo, aceitar as sensações do trabalho de parto não como alguma coisa a vencer, contra as quais se deve lutar - porque elas não resultam de uma patologia, não sinalizam alguma coisa que está errada, como uma fratura ou queimadura, por exemplo. Não. Essa sensação é uma aliada que sinaliza o processo fisiológico do parto, levando a mulher a fazer força, ou a se contorcer, a gemer, a acocorar-se ou a procurar a banheira, e entre as contrações as sensações atenuam, como ondas***, e você pode relaxar. As sensações intensas levam ao transe, e esse transe tem que ser aproveitado, ele faz parte. Você não precisa de anestésicos, ordem pra fazer força, fórceps. Você precisa apenas de liberdade para vivenciar seu parto.
O parto é você, é o seu corpo em plena atividade, e você não deveria deixar esta parte de você ser subtraída por uma conveniência que vem de fora. Existem séculos de uma cultura desfeminilizante costurando essa rede em que se cai tão facilmente, como eu mesma caí nos meus partos. Não é a mulher que precisa da anestesia, são os outros que precisam do conforto de uma mulher parindo quietinha.
E há outro aspecto que eu acho muito interessante que é a coisa do ritual de passagem. Nós cultivamos algumas manifestações externas de rituais, como casamentos, batizados, bar-mitzvahs, aniversários, festas da primavera, e essas festas refletem a nossa necessidade humana de marcar as passagens das fases, de criança inimputável para o adulto responsável, da vida individual para a vida em família, de um período de dureza para outro de fartura, enfim, quando passamos de uma fase para outra sem essa marca fica faltando alguma coisa. Tive um tio que foi tratado com hormônios nos anos 40 para acelerar seu crescimento. Na verdade ele foi cobaia das primeiras experimentações com hormônios no Brasil. De um dia para o outro ganhou pelos pelo corpo, engrossou a voz, a adolescência que deveria prepará-lo vagarosamente para a idade adulta veio num turbilhão que ele não deu conta e ninguém à volta dele compreendeu. Ele enlouqueceu.
Assim é com o parto. Quando se tenta ao máximo passar por ele como se nada tivesse acontecido - e o ápice disso é a cesárea eletiva, está-se pulando um ritual fundamental para o início da maternidade. E o efeito cascata começa: dificuldade de estabelecer vínculo com o bebê, depressão pós-parto, "falta" de leite, intolerância ao comportamento do bebê. O parto normal cheio de intervenções, do qual se diz "ah, foi uma beleza, não senti na-da!!! fiquei ali, conversando, e em xis (poucas) horas o bebê nasceu!!" não é muito menos maquiagem da passagem. Sim, "de repente" o bebê estava ali. E ela não precisou fazer nada. Inicia-se a maternidade com a sensação de que "não é preciso fazer nada" para ser mãe. E começa a transferência de responsabilidade... impulsionada pela sensação inconsciente de que a maternidade moderna NÃO PODE ser trabalhosa. E esse caráter trabalhoso que a maternidade efetivamente tem, não é, como nossa sociedade acredita, um sofrimento, um castigo do qual devemos nos livrar. Ao contrário, ela contém o extremo prazer que sentem as pessoas que superam desafios, convivendo com as mudanças no corpo e na vida pelo prazer que isso traz, em oposição à compulsão de querer lutar contra as mudanças irreversíveis promovidas pela chegada dos filhos.
O processo do parto vem sendo aprimorado há milhões de anos (ou milhares, depende do critério), e a humanidade definitivamente não aperfeiçoou este processo agregando-lhe tecnologia, apenas o corrompeu. Anestesia, ocitocina na veia, posição horizontal, raspagens, submissão a alguém como dono do parto, kristeller, amniotomia, episiotomia, tudo isso num trabalho de parto que está transcorrendo sem intercorrências, não é evolução: é perversão. Das grossas. Você e seu bebê não precisam de mais nada além dos seus corpos com seus hormônios para permitir o nascimento.
Precisamos desconstruir o conceito de parto doloroso, e compreender e desejar e conquistar o parto prazeroso, não importa quão trabalhoso ele possa ser. Não se deixem levar pela inércia do sistema obstétrico vigente, que inadvertidamente vampiriza a força, a beleza e a vida que mãe e bebê protagonizam no ato de parir e nascer.

* definição da Éllade França
** contribuição da Anita Cione
*** definição de Michel Odent

Roselene NogueiraMãe de Heloisa, Beatriz e Isabela (3 partos normais hospitalares) e arquiteta

domingo, 14 de novembro de 2010

Exercícios na Hora "P"

Praticar exercícios fisioterápicos durante o parto aumenta a tolerância à dor, reduz o uso de fármacos e diminui o tempo até o nascimento do bebê, conclui um estudo feito no Hospital Universitário da USP. Entre as grávidas que fizeram as atividades, o índice de cesarianas ficou em 11%. A média, na instituição, é de 20%.
No SUS, a taxa de cesáreas é de 28% e na rede privada e suplementar chega a 90%. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que o índice seja de, no máximo, 15%.
Na pesquisa, foram avaliadas 132 gestantes do primeiro filho, com gravidez a termo: 70 foram acompanhadas por fisioterapeuta e fizeram os exercícios preconizados no trabalho de parto e outras 62 tiveram acompanhamento obstétrico normal, sem os exercícios. As gestantes do estudo foram orientadas a ficar em várias posições, fazer movimentos articulares e pélvicos, relaxamento do períneo e coordenação do diafragma.
A fisioterapeuta Eliane Bio, autora do estudo, diz que, além da redução do número de cesáreas, os exercícios diminuíram a dor e a duração do trabalho de parto -de 11 para 5 horas. “Nenhuma parturiente do nosso grupo precisou de analgésico.” No grupo controle, 62% usaram drogas de analgesia.
No Brasil, exercícios no trabalho de parto estão restritos aos poucos centros médicos que incentivam o parto normal, mas, em países como a Inglaterra e a Alemanha, vigoram há mais de 40 anos. Na França, toda grávida é orientada a fazer ao menos 12 consultas com o fisioterapeuta no pré-natal.
Segundo Bio, os exercícios remetem à livre movimentação que, no passado, a mulher tinha em casa durante o parto. “Temos que estimular as habilidades do corpo da mulher para o parto, prevenindo traumas no períneo, levando a uma vivência menos dolorosa, resgatando a poesia do nascimento.”
Segundo ela, os procedimentos fisioterápicos preconizam a participação da mulher em todo o processo de parto, com a livre escolha de posições durante as contrações.
O obstetra Artur Dzik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, diz que o estudo é benfeito (prospectivo, randomizado e com um número significativo de voluntárias). “Tudo o que estimula responsavelmente o parto normal é bem-vindo num país com altíssima incidência de cesárea.”
Para ele, o ponto principal do trabalho foi ter mostrado que o acompanhamento fisioterápico retarda a necessidade de analgesia, diminuindo o tempo do trabalho de parto.
Na opinião de Renato Kalil, ginecologista e obstetra da Maternidade São Luiz, o mérito do trabalho de Bio é ter “colocado no papel” a eficácia dos exercícios. “Minhas pacientes fazem isso há 22 anos, mas ainda são exceções. Na maioria dos hospitais, a grávida fica deitada esperando a hora da cesárea.”
Ele pondera que o trabalho não consegue demonstrar de que forma ocorre o relaxamento provocado pelos exercícios. “Um médico adepto da cesárea diria que seria preciso medir os impulsos elétricos do músculo para comprovar o relaxamento. Mas, na prática, sabemos que a movimentação funciona.”




Fonte: Claudia Colluci - Folha de São Paulo

E enquanto a Hora "P" não chega, você pode ir preparando seu corpo:

E não esqueça de caminhar, caminhar e caminhar!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O "Defeito" da Mulher

De: Anjo Gabriel
Para: O Senhor
Data: 1.000.000 anos a.C.
Ref.: Defeito de Fabricação

Prezado Senhor,
Venho comunicar um problema detectado em nosso controle de qualidade, com o produto "Mulher, versão 5.0". Na saída do aparelho reprodutor, conhecida por "Fenda Final" ou por "vagina", como apelidaram os engraçadinhos da produção, está faltando uma abertura maior para a passagem do outro produto, "Bebê, versão 4.3". Peço retificação do modelo piloto.
Atenciosamente,
Anjo Gabriel
Dpto. Qualidade do Produto
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De: O Senhor
Para: Anjo Gabriel
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Sua queixa

Prezado Gabriel,
Referente à sua queixa, peço desculpas pela demora, mas estive ocupado criando outros produtos, que serão fundamentais para a vida na Terra. Conversando com o projetista, ele me explicou que o material da "Fenda Final" é altamente elástico e pode perfeitamente se adaptar ao diâmetro do produto "Bebê", que aliás já está na versão 5.0, por favor atualize seu cadastro. Ele me garantiu que não há necessidade de modificações.
Cordialmente,
O Senhor
Diretoria
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De: Anjo Gabriel
Para: O Senhor
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Novo Defeito

Prezado Senhor,
Essa semana tivemos um problema no setor de Testes, quando um funcionário mais, digamos, criativo, experimentou novas técnicas com o produto "Mulher", colocando-a deitada de lado, com alguns químicos na circulação, como ocito-qualquer-coisa, depois colocando-a deitada de costas, com os apêndices terminais (eles chamam de pernas, não sei de onde tiraram esse nome). Teve um funcionário mais fortinho, o Kristeller, que aplicou uma força sobre o abdômen, e o produto "Bebê, já na versão 5.0" foi ejetado com uma força impressionante. O problema é que a "Fenda Final" se rasgou de maneira impressionante, chegando a danificar o "Orifício Proibido". Sugiro reavaliar rapidamente a possibilidade de uma abertura extra, talvez com velcro ou ziper, na lateral direita da Fenda Final.
Atenciosamente,
A.G.
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De: O Senhor
Para: Anjo Gabriel
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Reavaliação?

Prezado Gabriel,
Não vou reavaliar coisa alguma! O departamento de testes jamais poderia ter inventado esse tipo de manobra para tentar provar que nossos projetistas são incompetentes. O produto foi criado para produzir "Bebê 5.0" sem ajuda, sem força, sem químicos, sem funcionários gordinhos pulando sobre suas partes! Favor demitir o chefe do departamento, junto com o funcionário Kristeller.
E de agora em diante, não me inventem mais esses "Testes Criativos"! Isso se chamará, de agora em diante, "Manejo Ativo do Parto" e será punido com demissão sumária.
O Senhor
Diretoria
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De: Anjo Gabriel
Para: O Senhor
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Novos Funcionários

Prezado Senhor,
Tomadas as providências solicitadas, abrimos a vaga de chefe no departemento de Testes e estamos aqui em fase de treinamento. O departamento de RH colocou um novo chefe se chama "Obs Tetra de Bisturi", tem 45 anos e é muito sedutor, especialmente com as funcionárias! Ele disse que tem ótimas idéias para implementar o produto "Mulheres 5.0". Hoje mesmo ele disse que vai bolar um novo acessório para o produto, que se chamará "Episio-qualquer-coisa", desculpe, o nome é difícil. Ele disse que o acessório tornará o produto "Mulher 5.0" mais desejável, mais bonito, mas moderno, e utilizável por muito mais tempo. Vou ser honesto, Senhor, eu não estou gostando desse sujeito.
Atenciosamente,
A.G.


Por: Ana Cris Duarte

Humanização do Parto - Qual o verdadeiro significado?

Existe um movimento no mundo inteiro no sentido de reforçar estas teses. Aqui no Brasil temos a Rede pela Humanização do Parto e Nascimento que é nossa principal ferramenta de aglutinação de profissionais de várias áreas interessados na modificação do atendimento à mulher no ciclo gravido-puerperal. Entretanto percebo que ainda não possuímos uma definição concreta e precisa do que entendemos por humanização, a ponto de um médico que me parece claramente um "intervencionista" tradicional autoproclamar-se "humanista". Porque?
Na minha ótica, (e desde já pretendo colocar que se trata apenas de um viés absolutamente pessoal e que apenas pretende iniciar um debate sobre a questão) quando abordamos este assunto temos que compreendê-lo na sua origem, nas raízes, fugindo tanto quanto possível da pueril superficialidade que aparece aos nossos olhos. O equívoco que a mim parece evidente nas palavras do meu professor é que ele não tem conhecimento do que seja o projeto de humanização no seu sentido amplo e profundo. 
Quando ele fala em humanizar está se referindo a tratar com mais gentileza e "humanidade" as pacientes nos Centros Obstétricos; refere-se a uma abordagem menos agressiva e mais racional do manejo das internações. Porém eu considero humanização do nascimento algo muito mais profundo do que isso. Vai além de fazer um centro obstétrico mais arejado, enfermeiras e atendentes sorridentes ou colocar vasos de flores nos quartos. 
Humanização do Nascimento tem a ver com a posição em que a cliente/parturiente ocupa neste cenário. Neste sentido humanizar tem a ver com feminilizar. Enquanto o nascimento for manejado de forma masculina ele nunca será verdadeiramente humanizado. É inadmissível que um fenômeno tão intrinsecamente feminino seja gerenciado por pressupostos tão marcadamente masculinos! Se a paciente se mantém como objeto, como indivíduo passivo, como alguém sobre a qual recaem as forças cegas e desorganizadas da natureza, necessitando por isso um cuidado intensivo no sentido de salvá-la do seu destino cruel, então nem 1 milhão de flores, rosas, jasmins, cravos, orquídeas e nem milhares de sorrisos benevolentes tornarão este parto um parto humanizado. 
O que torna um parto humanizado, ao contrário do manejo alienante que encontramos nas nossas maternidades, é o protagonismo conquistado por esta mulher. A posição de cócoras, a presença do marido/acompanhante, a diminuição de algumas intervenções sabidamente desnecessárias, o local do nascimento, etc. não são suficientes para tornar um nascimento "feminino e humanizado". É necessário muito mais do que isso. 
Não existe humanização do nascimento com mulheres sem voz. É preciso que esta mulher, consciente da sua posição como figura central no processo, faça valer seus direitos, sua autonomia e seu valor. O que torna um obstetra (ou profissional do parto) humanista ou não, é a capacidade de estimular a participação, o envolvimento efetivo e a condução deste processo a quem de direito: a mãe. Sem estes requisitos de nada adiantam maternidades lindas, belas, arejadas, limpas, assépticas, com enfermeiras gentis e sorridentes. 
Usando como exemplo a questão prisional, uma penitenciária não se torna humana simplesmente varrendo as celas e oferecendo roupas limpas aos detentos. Nem tampouco com carcereiros gentis e sorridentes. Ela se torna humana se a lei é bem aplicada, se não ocorre injustiça na aplicação das penas, se os presos tem os seus direitos respeitados. 
Desta forma, muito mais importante que a humanização da forma, é necessário instituir a humanização dos conceitos. É fundamental construir uma visão nova, que resgate este protagonismo perdido pela tecnocracia dogmática e fechada do cientificismo religioso. Sem este delineamento do que concebemos por humanização ficaremos todos tratando por um mesmo termo conceitos completamente diversos. 
Enfim, o projeto de humanização do Parto e Nascimento inicia-se por uma definição clara do que entendemos por "humanizar", para que a partir de conceitos firmes e sólidos possamos construir um modelo mais justo e adequado para as mulheres, sua família e seus filhos.

Dr. Ricardo Herbert Jones
Médico Homeopata, Ginecologista e Obstetra, Porto Alegre, RS
Fonte: www.amigasdoparto.com.br